O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindesto) anunciou, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 4, a suspensão de todos os novos atendimentos eletivos a partir de quinta-feira, 5. A medida atinge pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e do plano Servir, em razão de uma dívida acumulada do Governo do Estado que soma cerca de R$ 274 milhões.
Do montante cobrado pela entidade, aproximadamente R$ 168 milhões correspondem a débitos do plano de saúde dos servidores estaduais (Servir) e R$ 106 milhões referem-se a repasses para o SUS. Segundo a assessora jurídica do Sindesto, Ana Carolina Vangelatos, os atrasos de pagamentos em julho deste ano já eram de 120 dias. Negociações anteriores e um acordo firmado dia 7 de agosto – que previa o parcelamento do passivo em 90 dias – não foram cumpridos pelo Executivo estadual.
A paralisação atinge hospitais, clínicas e laboratórios credenciados, impactando diretamente agendamentos previstos de exames, consultas e cirurgias eletivas, que não serão mantidos. A entidade estima que o bloqueio afeta cerca de 60 estabelecimentos filiados, responsáveis por uma média mensal de 45 mil procedimentos e mais de 6,5 mil pacientes atendidos. Os atendimentos que já estão em andamento e os serviços de urgência e emergência seguirão em funcionamento.
Ainda segundo o sindicato, a falta dos repasses comprometeu a entrega de materiais e insumos por fornecedores, além de inviabilizar o pagamento das equipes médicas e das folhas de pagamento dos demais servidores.
Para viabilizar a negociação, os hospitais e clínicas aceitaram ampliar de 60 para 90 dias o prazo de pagamento e parcelar dívidas que já estavam vencidas. O sindicato informou ainda, que entrou com uma ação judicial para exigir o cumprimento da cronologia do parcelamento acordado e esclareceu que não há qualquer tratativa em andamento com a equipe de transição do novo governo eleito.
Com a interrupção dos atendimentos e dos agendamentos de procedimentos futuros, o Sindesto orienta que os usuários do Servir procurem diretamente a gestão do plano de saúde do Estado para esclarecimentos. O espaço segue aberto para o posicionamento e manifestação oficial do Governo do Estado.
A mobilização conta com o apoio do Sindicato dos Médicos do Estado do Tocantins (Simed-TO) e da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas (Coopanest). A suspensão segue sem previsão para o restabelecimento dos serviços. Os órgãos de controle já foram notificados desde o mês de julho.

